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Meu perfil BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, English, Portuguese, Blá. Blá. Blá. MSN - servetheego@hotmail.com |
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Feriado bobo essa páscoa. Ah, tudo bem. Jesus. Jay C, camarada. Acho super válido. Mas tem alguma coisa que simplesmente não me anima nesse whole deal de ovinhos, coelhinhos, chocolatinhos. Tudo me parece muito mal-estruturado. Coelhos e ovos. Simbologia meio besta, I tell ya.
Mamãe, ex-hippie atual taróloga, antenadíssima nas tendências astrais, comentou que todo mundo fica meio deprimido nessa época do ano. Não me recordo muito bem se tem a ver com as desventuras de Jay C, com o alinhamento dos planetas, com todo o cosmos, ou whatever.
Tenho lá os meus motivos pra estar de saco cheio, e também meus motivos pra estar de bom humor, é verdade. Mas gosto de escutar mamãe falando sobre o oculto. E enquanto ninguém me prova nada certo ou errado, eu vou observando. E notei sim uma onda de cansaço, um saco-cheio coletivo, que tem suas explicações reais e muito lógicas.
Até onde o cosmos influencia nisso, se influencia at all, eu não sei. E nem ligo.
Mas nesse blábláblá fugi do que eu realmente queria escrever. Passei a sexta e o sábado do feriado em Santos, onde mora meu avô.
Italiano do salto da bota, oitenta e vários. Corpinho de cinquenta. Não perdeu o sotaque, talvez até porque fala bem pouco. Sofre sozinho, ri baixinho. Só faz barulho quando teima. E teima, que nem uma mula. Porque não se tira o orgulho de um italiano, por mais que ele faça e diga merda. Tentar é um esforço inútil. Um italiano quebra a sua razão, sua retórica, e a sua paciência em mil pedaços. E ainda esfrega os cacos na sua cara. Um italiano da gema quebra os seus limites, ignora os seus limites, como se eles não existissem. O feio e o belo. A arte e a violência. O bem e o mal.
Ele vive à flor da pele. Porque o buraco aqui é muito mais embaixo. Porque a vida é muito mais que limites. Muito mais que momentos. Ele sabe que o dono da verdade não existe, por isso vive de acordo com o que lhe cabe, e lhe agrada. Sua consciência é seu réu e seu juiz.
Simples assim. Um italiano vive por inteiro, sente por inteiro. O que é certo é certo, o que é errado é errado, ele não precisa de terapeuta. Não precisa de falso moralismo. Até porque, quando ele erra, ele sabe disso melhor do que você. Ame-o ou deixe-o, antes que ele te enlouqueça também.
De uns tempos prá cá, percebi que meu avô não teima mais. Encontrei um velhinho apagado, submisso, cabisbaixo. Quase parecia um brasileiro qualquer ali, comendo macarrão na cadeira do Sr. Luigi.
Percebi um homem derrotado. Um homem já cansado de lutar pelo seu orgulho, pelo seu justo direito de fazer um inferno aqui e acolá quando achar conveniente. Anulado pela ausência da única mulher que amou e aceitou aquela "italianisse" toda, incondicionalmente. Pelo seu desejo de manter a paz. Paz que ninguém vê, ninguém conhece, por estarem preocupados demais com seus próprios problemas e limites. Paz que ninguém sequer almeja, porque não há tempo de pensar claramente no meio de tanta estupidez e egoísmo. Um homem frustrado por não ter conseguido passar seu caráter, sua cultura e seus sentimentos pra maior parte de sua prole.
Essas reuniões familiares, esses feriados bestas, me doem. Bando de brasileiros, conformados e limitados. Gente cruel e broxante, pra qualquer italiano que se preza.
Isso não se faz. Simplesmente não se faz. Um dia você percebe que já viveu tanto, já errou e acertou tanto...o mínimo que te devem é respeito.
Botttom line aqui é o seguinte:
O meu sangue é quente e vai continuar quente. Eu vou continuar vivendo e sentindo, por inteiro, até o dia que eu não acordar mais.
E ai do filho da puta que um dia tentar me castrar.